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Itália - Toscana: Firenze 01 - Duomo, Batistério e Torre de Giotto

  • 9 de jul. de 2015
  • 5 min de leitura

Atualizado: 16 de mai.

O Duomo de Firenze, como o vemos hoje, é o resultado de um trabalho que se estendeu por seis séculos, incluindo ícones da arquitetura como a Torre de Giotto (Campanário de Giotto ou Torre do Sino), o Batistério e a Cúpula de Brunelleschi. Símbolo da cidade, é a quinta maior Igreja da Europa e chega a acomodar até 30.000 pessoas em seu interior. 


Firenze 01 - Duomo, Batistério e Torre de Giotto

A história do Duomo

Foi construída no lugar da antiga catedral dedicada a Santa Reparata, que funcionou durante nove séculos até ser demolida completamente em 1375 (no subsolo da catedral pode-se visitar as antigas ruínas da Catedral antiga).

  

O local deu espaço para a construção da nova Basílica, em uma época em que as catedrais ostentavam o poder das repúblicas italianas que competiam e buscavam se superar usando esses edifícios como símbolo de grandiosidade.

  

  

  

Em 1293, as obras foram iniciadas e a população passou a contribuir para financiar a construção, e todos os testamentos passaram a incluir uma cláusula de doação para as obras. Embora o estilo dominante da época fosse o gótico, seu projeto foi concebido com uma grandiosidade clássica.

  


Entre 1296 e 1302, o projeto foi confiado a Arnolfo de Cambio. Com a morte do arquiteto, o trabalho de construção sofreu uma parada.

  

Firenze 01 - Duomo, Batistério e Torre de Giotto

  

Em 1330, um novo impulso foi dado quando foi descoberto o corpo de São Zenóbio, patrono e santo renomado por seus milagres, em Santa Reparata, que na época ainda não havia sido completamente demolida.

  

San Zenobius: Representação de um de seus milagres, sua estátua na fachada da Catedral e  

urna com seus restos mortais preservada no Duomo 

  

Em 1334, Giotto di Bondone foi indicado supervisor das obras e concentrou suas energias na construção do campanário sendo sucedido por Andrea Pisano.

  

 Retrato do artista (abaixo, à esquerda) 

e Painel de Andrea Pisano, peça original dos relevos da parte baixa do Campanário 

  

Em 1348, quando a peste negra dizimou metade da população da cidade e estagnou seu crescimento por algum tempo, as obras pararam novamente.

  


Entre 1349 e 1359, sob a supervisão de Francesco Talenti, o campanário foi concluído e um novo projeto para o Duomo foi preparado, com a colaboração de Giovanni di Lapo Ghini: a nave central foi dividida em quatro espaços, reduzindo o número de janelas planejadas por Arnolfo.

Firenze 01 - Duomo, Batistério e Torre de Giotto

Firenze 01 - Duomo, Batistério e Torre de Giotto

  

Em 1375, o que havia restado da Santa Reparata foi finalmente demolido, ao mesmo tempo que continuou-se o trabalho de revestimento externo com mármores e decoração.

  

Firenze 01 - Duomo, Batistério e Torre de Giotto

  

Em 1418, como o problema da cúpula ainda não havia sido resolvido, a Opera del Duomo, a centenária entidade administradora dos trabalhos na Catedral, anunciou um concurso vencido por Brunelleschi, e os trabalhos foram desenvolvidos entre 1420 e 1434 e sua lanterna foi instalada vinte anos depois. ​

  

Firenze 01 - Duomo, Batistério e Torre de Giotto
Visão Arquitetônica da Cúpula 

Firenze 01 - Duomo, Batistério e Torre de Giotto
 Visão Interna da Cúpula 

  

Alguns arremates finais ainda vieram depois, como o revestimento externo conforme o projeto original de Arnolfo com mármores brancos de Carrara, verdes de Prato e vermelhos de Siena. ​



Em 25 de março (considerado o início do ano novo em Florença até o século XVIII) de 1436, a Catedral foi consagrada pelo Papa Eugênio IV, 140 anos depois do início da construção.

  

Firenze 01 - Duomo, Batistério e Torre de Giotto

    

Firenze 01 - Duomo, Batistério e Torre de Giotto

O interior do Duomo

O interior da catedral, extremamente clássico, chama atenção mais por suas proporções do que por sua decoração. Além da cúpula, chamam atenção o piso e o grande relógio acima da porta da entrada com 24 posições (é um relógio “de 24 horas ao contrário”, indicando as horas para missas e rezas!).

  


No subsolo , as ruínas de Santa Reparata mostram a estrutura do século XIV que cedeu espaço para a construção da catedral.

  


Para quem quer subir na torre são 84,7 metros: 414 degraus para a torre e 473 degraus para a cúpula, normalmente com muita fila de espera.

  

Firenze 01 - Duomo, Batistério e Torre de Giotto
Alguns dos 414 degraus da Escadaria da Cúpula 
Firenze 01 - Duomo, Batistério e Torre de Giotto
 Visão do Alto da Torre de Giotto

 

  

Battistero di San Giovanni (Batistério de São João) 

Ao lado da Catedral, na Piazza del Duomo, fica o batistério, dito como o prédio mais antigo da cidade e famoso por suas magníficas portas de bronze.  

  

Firenze 01 - Batistério

  

Por um longo tempo acreditou-se que o batistério era, na verdade, um templo romano dedicado a Marte. Contudo, essa era uma ideia errônea. Escavações no século XX mostraram que o Batistério era uma torre de guarda, parte de uma muralha que protegia a cidade.

  

Desde que se tornou um Batistério, na época medieval e na Renascença, os florentinos de destaque eram sempre aqui batizados. Dante e também muitos membros da Família Medici foram batizados no local.

  

A construção mais próxima à atual foi feita e consagrada em 1059 pelo Papa Nicolau II e a estrutura octogonal representa o “oitavo dia” (octava dies), o dia da Ascensão de Cristo, simbolizando a vida eterna, que é dada pelo batismo.

  

Seu estilo arquitetônico serviu como protótipo para a construção, por Leone Battista Alberti, de outras igrejas românicas na Toscana.

  

Firenze 01 - Batistério

O interior do Batistério remete ao Panteão de Roma, com pouca luz entrando através de pequenas janelas e pela claraboia, iluminando o zodíaco pagão no chão.

  

Firenze 01 - Batistério

  

O teto é decorado com um magnífico mosaico criado por vários artistas venezianos em 1225 (talvez até mesmo Cimabue) e representa o Julgamento Final, com cenas de horríveis castigos e punições. Dante Alighieri cresceu olhando esses mosaicos, que serviram de inspirações visuais para a criação de muitas das cenas que narra em sua obra “Inferno”.

  

Firenze 01 - Batistério

  

Firenze 01 - Batistério

  

As Portas do Paraíso do Batistério

Em 1329, Andrea Pisano recebeu a encomenda de projetar as Portas Sul do Batistério e preparou 28 painéis quadrangulares, representando cenas da vida de São João Batista.

Firenze 01 - Batistério

  

Firenze 01 - Batistério

  

Em 1401, uma competição foi anunciada para a execução das Portas Norte do Batistério, onde competiram sete escultores, entre eles Donatello, Filippo Brunelleschi, Lorenzo Ghiberti.

  

 Da esquerda para direita: Donatello, Brunelleschi e Ghiberti 

  

Ghiberti, então com 21 anos, ganhou a encomenda. Brunelleschi ficou tão desiludido com a perda que partiu para Roma para estudar arquitetura e nunca mais esculpiu.


Ghiberti levou outros 21 anos para finalizar as portas, com novamente 28 painéis com cenas do Novo Testamento, e com isso tornou-se então uma celebridade e o artista máximo em seu campo.


Firenze 01 -  Batistério

  

Firenze 01 - Batistério

  

Em 1425, Ghiberti recebeu uma segunda encomenda: as Portas Leste, a mais famosa, que Michelangelo chamou de “As Portas do Paraíso”, nome que permanece até hoje.

  

Firenze 01 - Batistério

Portas do Paraiso de Ghiberti 

  

As Portas do Paraíso foram colocadas em local seguro em 1943, durante a II Guerra Mundial.


Ao voltar ao seu local de origem, foi parcialmente danificada pela grande inundação de 1966, que destruiu inúmeros tesouros artísticos da cidade.


Firenze 01 - Batistério

  

Em 1990, para assegurar sua preservação, as portas foram substituídas por cópias e as originais foram transferidas para o Museu Opera del Duomo, preservadas em contêineres cheios de nitrogênio.


Firenze 01 - Batistério

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