Perrengue com Âncora: presa em uma corrente abandonada
- 20 de jun.
- 3 min de leitura
Quando a gente achava que tinha se livrado do perrengue do dia (colocar pra fora do barco a geladeira velha que quebrou e pra dentro a geladeira nova que chegou), o barco mostra que realmente nem tudo são algas na vida a bordo!

Quando a gente foi levantar âncora para, enfim, começar de verdade a nova temporada, pan pan! Âncora presa em alguma coisa... De cima da proa, achamos que era só um cabo, todo envolto em cracas... Hora do Henry pular na água, com uma faca, para desprender a nossa âncora do tal cabo velho...
Ele mergulha na água, nada até a proa e... surpresa! Não era um cabo, passível de ser cortado, mas sim uma corrente imensa abandonada no fundo do mar que resolveu se enganchar na nossa âncora.
E agora? O perrengue é: como soltar a nossa âncora presa em corrente no fundo do mar?
Não teve jeito... tivemos que usar uma técnica bastante conhecida por quem navega aqui na Grécia, onde a ancoragem e a atracagem mediterrânea (aquela em que jogamos a âncora na frente e prendemos a popa do barco no píer ou em pedras) são bastante comuns e, com frequência, causam cruzamento de correntes dos barcos próximos e, muitas vezes, fazem a âncora de um enganchar na corrente do outro.
Vamos contar aqui como funciona essa técnica:
Passo a passo da operação
Ao lançar a âncora, ela caiu sobre uma corrente abandonada no fundo do mar, sem que a gente percebesse.

Quando começamos a recolher a âncora pela proa, os braços da âncora engancharam nessa corrente abandonada.

A âncora subiu até perto da linha d’água, mas travou. Foi aí que ficou claro que ela não subiria sozinha. Henry entrou na água para entender o que estava prendendo a âncora. A princípio, parecia um cabo velho, mas era uma corrente pesada e cheia de cracas.

Como não dava para cortar, a solução foi passar um cabo por baixo da corrente abandonada. Eu amarrei uma ponta do cabo em um cunho da proa e joguei poara o Henry na água a ponta solta do cabo.

Henry levou esse cabo até a corrente presa no fundo e passou por baixo dela, criando uma espécie de alça para poder levantá-la.

Como a proa do barco é alta em relação a linha d'água, o henry não conseguiria me passar a ponta solta sem ajuda. Então, passei para ele um croque (haste com gancho na ponta), ele amarrou a ponta solta do gancho e suspendeu o croque até que eu conseguisse alcança-lo e trazê-lo a bordo.

Na proa, a ponta do cabo é desatada do croque, essa ponta é passada no cunho do barco, o cabo é caçado ao máximo e na sequência travado no cunho.

Com o cabo preso, ele passou a fazer tração sobre a corrente abandonada, suspendendo parte do peso que estava prendendo a âncora.

A âncora é então baixada um pouco, só o suficiente para aliviar a tensão e abrir espaço entre ela e a corrente abandonada. O cabo amarrado nos cunhos continua suspendendo a corrente abandonada durante esse processo.

Na água, a corrente abandonada é afastada manualmente da trajetória da âncora.

Com a corrente abandonada fora do caminho, a âncora agora pode subir livremente até a caixa de âncora.

Como estávamos agora com a âncora recolhida, o barco estaria desancorado e solto, então mantivemos o cabo amarrado na corrente abandonada para segurar o barco no lugar até que o Henry pudesse nadar de volta até a popa e subisse a bordo para ligar os motores e nos prepararmos para partir.

Com a âncora recolhida, todos a bordo e tudo preparado, o cabo operacional pode ser solto, e a corrente abandonada pode voltar para o fundo do mar. Daí, é só zarpar!



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