Japão: Okayama
- Anna Karen Moraes Salomon
- 30 de nov. de 2025
- 4 min de leitura
Okayama reúne um dos jardins mais bonitos do Japão, castelo histórico e uma localização estratégica que conecta arte, tradição e deslocamentos fáceis pelo oeste do Japão. A cidade funciona como base prática para explorar a região, mas também sustenta identidade própria, marcada por paisagens bem cuidadas, herança feudal e um ritmo urbano equilibrado.

Okayama surge como uma cidade organizada, clara e surpreendentemente agradável de percorrer. Conhecida principalmente por abrigar um dos três jardins mais importantes do Japão (de cair o queixo e se perder por horas!) e por sua posição estratégica no eixo entre Kansai e Chugoku, ela vai além do papel de cidade de passagem. O contraste entre o verde meticulosamente planejado do Korakuen, as linhas sólidas do castelo às margens do rio Asahi e a vida urbana tranquila cria um cenário coerente, fácil de absorver. Caminhar por Okayama revela bairros residenciais silenciosos, áreas comerciais bem distribuídas e acessos rápidos a pontos históricos. A cidade também se conecta diretamente a Kurashiki, um dos conjuntos históricos mais preservados do país, ampliando ainda mais o interesse do destino. Sem o excesso de visitantes de outros centros turísticos, Okayama permite observar o cotidiano local com mais clareza, seja nos mercados, nos cafés discretos ou nas áreas verdes abertas ao público. O resultado é uma experiência fluida, onde história, planejamento urbano e deslocamentos simples se combinam de forma natural, tornando a visita prática, informativa e visualmente consistente.
Onde fica Okayama
Okayama está localizada na região de Chugoku, no oeste da ilha de Honshu, e é a capital da província de Okayama. Fica a aproximadamente 650 km de Tóquio, com tempo de viagem de cerca de 3h15 em trem-bala (Shinkansen). A cidade está bem conectada a Hiroshima, Osaka e Kyoto, além de servir como porta de entrada para Shikoku, via ponte Seto Ohashi. Kurashiki fica a apenas 17 km, com cerca de 15 minutos de trem.
Significado do nome "Okayama"
O nome “Okayama” pode ser traduzido como “montanha do monte” ou “colina elevada”. A origem está associada a formações naturais da região e à presença de terrenos levemente elevados próximos aos antigos assentamentos, usados como pontos estratégicos de observação e defesa.
Um pouco da história de Okayama
A ocupação da região de Okayama remonta a períodos antigos, quando a área fazia parte da província histórica de Bizen, conhecida por sua produção agrícola e cerâmica.
Durante o período feudal, a região ganhou importância sob o domínio de clãs locais, especialmente o clã Ikeda, que passou a controlar o território no início do período Edo (1603–1868), uma era marcada pela estabilidade política sob o xogunato Tokugawa.
Foi nesse contexto que o Castelo de Okayama foi ampliado e consolidado como centro administrativo. A cidade se desenvolveu ao redor do castelo, com bairros organizados segundo funções sociais e econômicas bem definidas.
Paralelamente, o Korakuen começou a ser construído como jardim privado do daimyo Ikeda Tsunamasa. Diferente de jardins contemplativos fechados, ele foi pensado como espaço de circulação, integrando paisagem, água e arquitetura.
Com a Restauração Meiji, no final do século XIX, Okayama perdeu parte de sua função feudal, mas manteve relevância administrativa e educacional. A chegada das ferrovias impulsionou o crescimento urbano e industrial.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a cidade sofreu danos significativos, incluindo a destruição quase total do castelo. No pós-guerra, Okayama passou por reconstrução cuidadosa, preservando áreas históricas e investindo em planejamento urbano.
Hoje, a história permanece visível na relação entre jardim, castelo e rio, enquanto a economia local se apoia em educação, serviços, agricultura de alta qualidade e turismo cultural regional.

Curiosidades sobre Okayama
Korakuen: considerado um dos Três Grandes Jardins do Japão, junto com Kenrokuen (Kanazawa) e Kairakuen (Mito).
Castelo Negro: o Castelo de Okayama é conhecido como “Castelo do Corvo” por sua fachada escura.
Portão para Shikoku: a cidade conecta Honshu à ilha de Shikoku pela ponte Seto Ohashi.
Frutas famosas: a região é conhecida por pêssegos brancos e uvas muscat de alto padrão.
Regiões e áreas de interesse em Okayama
Centro / Castelo: concentra o castelo, o Korakuen e áreas ribeirinhas.
Estação de Okayama: zona comercial, hotéis e principal hub de transporte.
Área de Kurashiki (acesso rápido): conjunto histórico de canais e armazéns preservados.
O que ver em Okayama
Segue uma sugestão das atrações que visitamos ou foram indicadas para ver na cidade, considerando a relevância turística de 1 a 5, sendo 1 imperdível e 5 apenas para interesses específicos ou se sobrar tempo.
Korakuen Garden: jardim paisagístico do período Edo, com lagos, pontes e vistas abertas (jardim) (Centro) (1)
Okayama Castle: castelo reconstruído com exposições históricas (castelo) (Centro) (1)
Kurashiki Bikan Historical Quarter (Kurashiki Canal Area): bairro histórico com canais e armazéns do período Edo (bairro histórico) (Kurashiki) (2)
Kibitsu Shrine: santuário xintoísta ligado a lendas folclóricas japonesas (santuário) (periferia) (3)
Okayama Orient Museum: coleção de arte do Oriente Médio e Ásia (museu) (Centro) (4)
Área ribeirinha do Rio Asahi: caminhada com vista para castelo e jardim (vida urbana) (Centro) (4)

Sugestão de roteiro para visitar Okayama
Sugestão otimizada: 1 dia completo para Okayama e mais meio a um dia adicional incluindo Kurashiki, com jornadas de até 8 horas.
Centro histórico
Korakuen Garden: passeio completo pelo jardim (💎1) (⏱️60–90 min)
Okayama Castle: visita às exposições e mirante (💎1) (⏱️45–60 min)
Rio Asahi: caminhada leve entre jardim e castelo (💎4) (⏱️20–30 min)
Bate-volta próximo
Kurashiki Bikan Historical Quarter: canais, museus e ruas históricas (💎2) (⏱️2–3 h)
Dicas adicionais para visitar Okayama
Base estratégica, ideal para quem segue para Naoshima ou Shikoku.
Deslocamento fácil: centro compacto e fácil de percorrer a pé ou de bonde.
Ingressos combinados: jardim e castelo podem ser visitados em sequência.
Clima: primavera e outono valorizam o jardim e as áreas externas.



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