Grécia - Ciclades: Ilha de Iraklia e o Avião Afundado da II Guerra Mundial

Hoje a gente fez um porgrama diferente.... a gente foi com o GiraMondo até a baía de Alimniá, na ilha Iraklia.
A gente nem tinha se planejado para ir até esse ilha, que é mais rústica e com menos atrações locais, mas daí a gente ouviu falar da história desse avião... e acabou não resistindo...
Imagine o mar Egeu em setembro de 1943… Isso mesmo, depois de 4 anos, a Segunda Guerra Mundial ainda acontecia, e as ilhas gregas estavam no centro dessas operações militares.
Naquele momento, a guerra vivia uma fase decisiva. A Itália tinha acabado de assinar o armistício com os Aliados, rompendo com a Alemanha, e o controle das ilhas do Egeu passou a ser disputado intensamente entre alemães e britânicos. A Grécia ainda estava sob ocupação, e aquele mar que hoje parece tão tranquilo era cenário constante de patrulhas, ataques aéreos e operações militares.
Um hidroavião alemão de reconhecimento, o Arado Ar 196, fazia uma missão de apoio e reconhecimento para dois navios alemães que operavam naquela região do Egeu quando entrou em combate com aviões britânicos.
No meio da batalha, ele foi atingido e caiu no mar. Os dois tripulantes sobreviveram e foram resgatados. Mas o avião desapareceu ali nas profundezas a mais de 90 metros de profundidade, nas proximidades da ilha de Ios.
Bom… desapareceu por quase 40 anos....
E aí vem a parte interessante e cuiriosa dessa história!
Em 1982, uma traineira de pesca chamada Robinson teve sua rede presa em alguma coisa no fundo do mar. Quando conseguiram puxá-la, veio a surpresa: eles tinham “pescado” o tal avião da Segunda Guerra Mundial!
Ali no meio do mar eles não conseguiram se desprender do avião… Os pescadores então rebocaram ele até a Baía de Alimniá, no sudoeste de Iraklia, para liberar a rede. E ali o avião afundou novamente — desta vez em apenas 10 metros de profundidade.
A Baía de Alimniá, em Iraklia, virou então uma paragem para os navegadores que passam por aqui e param para mergulhar e ver o pequeno avião não caiu e ficou por quase quatro décadas ficou no fundo do Egeu, lá em Ios, antes de ser trazido para cá.
E a história daquele dia ainda tem outro capítulo. O Arado fazia parte de uma operação alemã maior. No dia seguinte da sua queda, os navios que ele acompanhava, então sem o seu apoio, foram interceptados por uma força naval aliada perto de Astypalaia. Dois foram afundados. O terceiro ficou gravemente danificado.
Assim, aquele velho avião que hoje vemos tranquilamente no fundo de Alimniá é muito mais do que um naufrágio. É uma pequena cápsula do tempo. Um pedaço da Segunda Guerra Mundial que atravessou quase 83 anos de história para terminar aqui, nas águas cristalinas de Iraklia, nas Cíclades.
A ilha de Iraklia

E foi assim que, atrás da história de um avião, a gente acabou chegando a Iraklia.
A ilha faz parte das Pequenas Cíclades, entre Naxos e Ios, e é uma das menores e mais tranquilas desse arquipélago. Tem apenas dois pequenos povoados, Agios Georgios, junto ao porto, e Panagia, no interior, além de algumas praias, trilhas e uma paisagem árida, recortada por pequenas enseadas.
Iraklia é bem diferente das ilhas mais conhecidas das Cíclades. Por aqui não existe aquela sequência de lojinhas, beach clubs e restaurantes sofisticados. A estrutura é pequena, as estradas são poucas, as casinhas brancas aparecem espalhadas pela paisagem e tudo parece acontecer num ritmo muito mais lento.
É uma ilha ainda bastante ligada à pesca, à criação de animais e a um turismo pequeno e discreto. E talvez seja justamente essa simplicidade que dê tanta personalidade ao lugar.
Não há uma longa lista de atrações para conhecer, mas há praias praticamente vazias, trilhas pelas montanhas, cavernas e um litoral que parece feito para ser explorado pelo mar.
Iraklia provavelmente não teria entrado naturalmente no nosso roteiro.
Mas uma história improvável nos trouxe até aqui e acabou revelando mais um daqueles lugares do Egeu onde ainda existe muito pouco além de pedra, mar, pequenas vilas e silêncio.



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